Casa de Cultura de “Irmãs Carvalho”

No início da década de 1910, na região, constituía a zona rural da Vila São José do Paraíso, emancipada em 1874 de Pouso Alegre. As grandes propriedades rurais ocupavam a região, delicadas principalmente à criação de gado. O entorno da fazenda não possuía outras edificações, segundo relatos de parentes que conviveram com a família Carvalho – proprietária do Casarão -, sendo que a edificação estava voltada para uma estrada de terra conhecida como a Rua da Palha, atual Rua Sete de Setembro. Seu estilo arquitetônico, marcado pela influência da produção neocolonial mineira, conferia destaque para a edificação implantada no contexto rural. O estilo arquitetônico do Casarão se destaca ainda hoje no contexto urbano em que está inserido, sendo notável entre os demais imóveis. Representa um exemplar da produção arquitetônica do final da década de 1910, remetendo à temporalidade em que aquela região, hoje da parte da zona urbana – uma das entradas do município de Paraisópolis – inserida no distrito sede, era parte da zona rural. O imóvel refere-se à época áurea das grandes fazendas mineiras, representando para a população local, um símbolo remanescente dessa parte da história local. Segundo o Sr. Sebastião Ribeiro de Carvalho, sobrinho das “Irmãs Carvalho”, o Casarão foi erguido em 1917, pelo fazendeiro João Cândido Ribeiro de Carvalho. O imóvel foi implantado em uma grande propriedade na zona rural, com aproximadamente 1265 hectares. Esta foi adquirida em 1911, conforme escritura lavrada em cartório, sendo a vendedora Maria Joaquina da Conceição, pelo valor de duzentos mil réis. A edificação foi construída para ser a morada da família de João Cândido Ribeiro de Carvalho, casado com a Sra. Adelina Cândida Ribeiro de Carvalho. O casal possuía dez filhos; João Cândido Ferreira de Carvalho, Noé de Carvalho, Waldemar Ferreira Carvalho, Joaquim Ferreira de Carvalho, Dolvina Benedita de Carvalho e Maria da Fé Carvalho. Os filhos do Sr. João Cândido Ribeiro de Carvalho foram criados e educados no Casarão da Chácara Bela Vista, como era conhecida a propriedade rural. Quando atingiram a adolescência, as filhas mais novas foram enviadas para um colégio interno em São Paulo, onde receberam refinada educação. Conta-se que a família era muito religiosa e reservada, e que eventos sociais eram promovidos no Casarão, com o incentivo de João Cândido, para que suas filhas não necessitassem sair da fazenda para se divertirem. Em uma das visitas do pai às filhas em São Paulo, ele veio a falecera em 17 de setembro de 1930. A partir daí o bem e toda a propriedade rural passou a ser administrado pela viúva Adelina Cândida de Carvalho. Os filhos foram se mudando do imóvel gradativamente, se casando e formando seus próprios núcleos familiares. Permaneceram quatro das filhas, Maria José, Adelina, Zilda e Maria da Fé. Em 1996 ocorreu o falecimento da Sra. Adelina Cândida Ribeiro de Carvalho e um ano depois a propriedade rural sofreu partilha entre os herdeiros, sendo que o casarão permaneceu como propriedade e morada das quatro irmãs solteiras. Após o falecimento das irmãs o imóvel foi desocupado pelos herdeiros. A Casa hoje pertence a Prefeitura Municipal de Paraisópolis, denominada "Casa de Cultura Irmãs Carvalho", o imóvel não sofreu modificações significativas ao longo dos anos, sendo sua divisão interna original, bem como a volumetria e composição das fachadas.