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A tradição do 13 de Maio em Paraisópolis

  • Fonte: Assessoria de Comunicação
  • Publicado em: 13/05/2022
  • Assunto: Cultura
Texto: Departamento de Lazer, Cultura e Turismo
 
Em Paraisópolis, Minas Gerais, a tradição do 13 de maio, perdura há anos. Desde 1934, o Clube Rosa de Ouro Princesa Isabel coroa a sua rainha branca, em alusão à princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, a Isabel do Brasil, conhecida como símbolo da “Abolição da Escravatura”, e que protagoniza uma história atualmente contestada.
 
Mas, como tradição é tradição e, em Paraisópolis, é uma data de suma importância para àqueles oriundos do gueto - mas não só - ou seja, àqueles que estão desde os primórdios à frente do evento, tal comemoração é indiscutível.
 
De acordo com o depoimento da Sra. Benedita Joana Angeli, seu bisavô, o Sr. Vigilato Resende, e sua bisavó, conhecida como Sá Joaquina, foram os primeiros organizadores da Festa do Dia 13 de Maio.
 
Eles eram escravos e tinham grande fé que um dia seriam libertados. A chegada ao arraial da Lei Áurea, sancionada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, foi recebida com grande alegria pela população negra, mas a comemoração da liberdade teve que ser ocultada da população branca. Desde então, o Sr. Vigilato e Sá Joaquina decidiram realizar uma pequena festa no dia 13 de maio para os escravos libertos.
 
A comemoração, que inicialmente ocorria escondida de grande parte da população, acabou ganhando notoriedade e se tornando uma comemoração tradicional, com a participação de toda a população. Ela ganhou notoriedade e se tornou uma comemoração tradicional, com a participação de toda a população de Paraisópolis, independente de sua raça.
 
Em 1934, optou-se pela realização de uma homenagem à Princesa Isabel. Desde então, uma jovem branca é escolhida para representar a princesa, tornando-se a Rainha da festa. Ao ver a importância do evento para a população de Paraisópolis e diante da inexistência de uma sede para a realização das comemorações, em 1963, o Juiz José Grossi doou o terreno de uma fábrica falida para a construção de um clube.
 
Sob a organização de Sebastião Henrique de Oliveira, José Elípio, Maria Conceição Resende e Valdomiro Resende (avós de Dona Benedita), Sebastião Apolinário, Leonina Teodoro Rosam Josino Procópio dos Santos, o Clube Rosa de Ouro foi fundado, tornando-se sede da festa e local de reunião da comunidade de Paraisópolis. Desde a sua origem, a festa deixou de ocorrer somente em 2020 e 2021, devido à pandemia do novo coronavírus, embora seja uma das comemorações mais tradicionais da cidade.
 
Agora, em 2022, o Clube Rosa de Ouro irá coroar uma nova paraisopolense, que carregará o título de Rainha do 13 de Maio. Neste ano, a escolhida é a Srta. Maria Isabela Villaça e Souza, que ocupará a posição 87º. A rainha, que passará a coroa à princesa, é Eliane de Almeida Santos, coroada em 2019. A homenageada na ocasião, que já ocupou o posto em 2011, é Thaís Cristine Aparecida Cordeiro.
 
A festa do 13 de maio segue um rito festivo e as comemorações iniciam-se na véspera, dia 12. Veja!
 
12/05 – 20h – Seresta com os Violeiros do Paraíso e Clube Rosa de Ouro pelas ruas de Paraisópolis.
 
13/05 – 14h30min – Procissão de São Benedito e Nossa Senhora Aparecida, saindo da sede (Clube) com término do trajeto na Pastoral São Francisco.
 
13/05 – 21h – Coroação da Rainha, repasse de coroa e homenagem à rainha de 2011.
Participação especial da Lira Cônego Benedito Profício.
 
13/05 – 23h – Tradicional Baile do 13 de maio no Clube ADC – APTIV.
 
A seguir, confira a galeria de fotos com todas as rainhas do 13 de Maio. O acervo fotográfico é de autoria de Milton Mujano, fotógrafo paraisopolense.